Crime não compensa

Coisa alheia é sempre apetitosa. Há-de ser por esta razão que desde tenra idade a sociedade ensina-nos que roubar é mau e fere a moral. Efectivamente, quem subtrai um Metical hoje e não lhe acontece nada, rapidamente pode surripiar um banco. É tal e qual ao início da trajectória do pequeno bandido que começa por furtar mangas, depois bicicleta, segue-se a motorizada e, quando a sociedade dá por isso, ele já rouba carros à mão armada e faz manchete nos jornais.

O caso que envolve a ex-presidente do Conselho de Administração do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), Setina Titosse, como expoente máximo, e a sua assistente Milda Cossapode servir de exemplo. Setina Titosse não roubou a nenhum banco, mas os dividendos que retirou de forma fraudulenta foram estrondosos, a avaliar pelas provas produzidas pelo tribunal de primeira instância.

 A gigantesca teia de cumplicidade que montou permitiu-lhe amealhar qualquer coisa como 170 milhões de Meticais. E para a materialização desse desiderato meteu todos ou quase todos familiares e amigos no saque da coisa pública.

Mas porque o crime não compensa, semana finda, a mão pesada da Justiça desabou sobre ela. Foi condenada a dezoito anos de prisão. Interpôs recurso. Mas dezoito anos são dezoito anos. Caso a sentença seja confirmada pelo Tribunal de Recurso, ela deverá, além de ir à cadeia, perder todo o património que foi acumulando ao longo de uma vida e, talvez, no início, até de forma honesta. 

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