As autoridades venezuelanas ordenaram o encerramento da fronteira com a Colômbia para impedir a entrada de camiões com comida e medicamentos provenientes dos EUA. Desconfiado de que a referida ajuda pode constituir um prelúdio para uma intervenção militar dos EUA, Nicolas Maduro, Presidente eleito da Venezuela, fez saber que a “ajuda” norte- -americana não é bem-vinda, pois visa humilhar o seu país e que os venezuelanos não são mendigos. Dados os relatos sobre a situação de miséria que a imprensa tem reportado sobre o país, é caso para dizer que a Venezuela se parece a um “esfomeado” que se recusa a receber comida. Ainda que, aos olhos dos defensores da ajuda externa, a decisão possa ser considerada irresponsável, ela carrega consigo o pendor da necessidade de sobrevivência do regime vigente naquele país da América Latina.

A ajuda externa tem sido motivo de acesos debates entre os teóricos de relações internacionais. No tal debate duas dimensões se destacam: a dos moralistas, que acreditam ser dever de cada um ajudar os necessitados, e a dos pessimistas, que assumem que providenciar a ajuda a um necessitado é fundamental para alcançar algo em troca. Em termos de teorias de relações internacionais, a primeira dimensão pode ser enquadrada no construtivismo, que cita preocupações humanitárias e a ética em relação ao sofrimento de outrem. Outra teoria que se encaixa nesta dimensão é a liberal, que recorre ao argumento da necessidade de cooperação para a mitigação de problemas trazidos pela interdependência e globalização. A segunda dimensão, por seu turno, está ligada ao realismo, que considera que a ajuda externa é um instrumento ao serviço do Estado para a promoção do interesse nacional, consubstanciado pelo aumento do poder. 

Texto: Edson Muirazeque *

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