Um grandioso “showmício” antecedido de desfile de motoqueiros, caravanas de automóveis e outro tipo de veículos vai marcar o fim da actividade de “caça do voto” do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Jacinto Nyusi, hoje na cidade de Maputo. As caravanas irão todas desaguar, ao fim da manhã, no bairro de Malhazine, arredores da urbe, para esse grande evento.

Para o efeito, vários grupos já estão em prontidão e tudo foi ensaiado ao pormenor para que nada falhe na recepção daquele que é considerado candidato da transição das gerações, um homem realista e ideal para o estágio socioeconómico político que o país regista.

Nesse contexto, o candidato presidencial da Frelimo vai apresentar pela última vez aos moçambicanos e num acto público o seu projeto de governação consubstanciado “na confiança na mudança, novo ciclo de coesão entre os moçambicanos, desenvolvimento sustentável e socialização da distribuição da riqueza”.

Filipe Nyusi vai debruçar-se igualmente sobre vários problemas que preocupam o povo moçambicano, mormente, o emprego, saúde, educação, habitação, entre outros, bem como apresentar as fórmulas que possui para fazer face a essas dificuldades.

O aspirante da Frelimo à Ponta Vermelha vai ainda explicar aos moçambicanos as razões que o levam a apostar na continuidade dos projetos dos seus antecessores, mas imprimindo uma nova dinâmica para que se possa consumar a consolidação da unidade nacional, estado do direito e justiça social, desenvolvimento económico e combate a pobreza.

Caso ganhe as eleições desta quarta-feira, Filipe Nyusi promete trabalhar no sentido de haver transparência na gestão da coisa pública e na criação de iguais oportunidades para todos os cidadãos, tratando-os de forma igual, neutra e sem burocratismo.

Um outro aspeto que Nyusi pretende introduzir se vencer as eleições está relacionado com nova dinâmica e rigor na prestação de contas a todos os níveis, como forma de estimular que todos os cidadãos se sintam parte integrante no seu projeto de governação.

Para ele, o facto de alguém ser chefe não significa que deve pisar os seus subordinados. “Não podemos fechar as oportunidades, tudo tem que servir ao povo, ou seja, o dinheiro não tem que ficar com uma pessoa, mas deve ser distribuído através, por exemplo, da construção de novos hospitais, escolas, estradas e pontes e outros empreendimentos públicos. A outra coisa é que o carro do Estado não deve ser usado para benefício próprio”, disse Nyusi.   

Este candidato defende igualmente a continuidade dos projetos de desenvolvimento iniciados pelos seus antecessores, mas imprimindo uma dinâmica que estimule a salvaguarda da memória institucional e das respetivas instituições.

Vai daí que Filipe Nyusi exorta a população a não ter medo da continuidade e explica o porquê. “Não devemos ter medo desta palavra. Continuar é por exemplo, meter uma nova mudança para a marcha continuar uma vez que o Presidente Guebuza não vai dirigir mais o país. Portanto, eu vou entrar e poderei fazer a marcha como bem entender, virar para a direita ou esquerda, isso é que significa continuidade no desenvolvimento de Moçambique”.

EMPREGO NA VERSÃO TRIDIMENCIONAL

Na semana finda, o candidato presidencial da Frelimo trabalhou sucessivamente, nas províncias de Gaza e Maputo, onde para, além de comícios populares, manteve encontros com organizações socioprofissionais, líderes tradicionais e personalidades influentes.

Mas foi no comício da cidade da Matola, onde Filipe Nyusi foi bastante ovacionado, quando apresentou o seu plano para a criação de emprego, dividido em três vertentes, nomeadamente, tradicional, emergente e não convencional.

Dirigindo-se aos munícipes da Matola e do país em geral, o candidato presidencial da Frelimo disse que não pretende ser um dirigente populista e nem de lamentações, mas com soluções concretas para os problemas do povo.

Assim sendo, Filipe Nyusi começou por explicar o seu pensamento no concernente ao emprego tradicional, que está relacionado com áreas como a agricultura, pesca, pecuária, onde as pessoas poderão empregar-se para aumentar a sua renda e melhorar as suas condições de vida.

Segundo defendeu, desde a sua eleição em Março último não tem tido mãos a medir na procura de soluções para dar emprego aos jovens. “A minha maior preocupação é como encontrar emprego para as camadas juvenis, razão pela qual, quando for eleito Presidente da República, vou fazer de tudo para empregar a maior parte desta camada social. Isto é, a juventude estará no centro da agenda da minha governação”.

Relativamente ao emprego emergente, o candidato presidencial da Frelimo afirmou que com a descoberta dos recursos naturais, como por exemplo, o gás de Pande e Rovuma, o carvão de Moatize, entre outros recursos, estavam criadas as condições para empregar mais moçambicanos, sobretudo, os jovens.

“Estes recursos na minha governação serão mais uma fonte de dar emprego às pessoas. Por isso, vamos continuar a investir na exploração dos recursos naturais, através da abertura de mais escolas técnicas profissionais para que os jovens saiam de lá já com alguma ideia sobre como explorar e obter benefícios destes recursos”, disse o candidato da Frelimo, sublinhando que ele não fala por falar, mas apresenta as fórmulas para a solução dos problemas.

No concernente às áreas não convencionais, Filipe Nyusi disse que no mundo empregavam cerca de 4 por cento da população e que Moçambique possui condições para a sua exploração, nas áreas artísticas, como por exemplo, cinematográfica, artes plásticas, musical, teatral, entre outras.

Sublinhou que vai trabalhar no sentido de promover o investimento público e privado de modo a gerar mais oportunidades para empregar as pessoas.  “Na nossa governação, a política do emprego merecerá maior atenção, razão pela qual vamos fazer de tudo para que aos jovens não fiquem à espera dos cinco anos de experiência. Vamos estabelecer centros de auto-emprego para dar mais oportunidades aos jovens”.

 Ainda no que diz respeito à criação de auto emprego e oportunidades para os jovens, o candidato presidencial da Frelimo diz que vai trabalhar no sentido de se estabelecer o fundo de desenvolvimento e equidade que exclusivamente vai lidar com os jovens recém-formados nas universidades moçambicanas.

Segundo explicou, um jovem agrónomo, médico veterinário entre outras especificidades, quando concluir os estudos, tem que estar à altura de se autoempregar. “Este fundo poderá ser alimentado, por exemplo, não só de receitas internas, assim como externas para que muito rapidamente os jovens desenvolvam as suas habilidades através de criação de pequenas e médias empresas”.

Uma outra camada social a ter em conta na governação de Nyusi são os líderes tradicionais a vários níveis que terão um tratamento adequado, visto desempenhar um papel preponderante na moralização da sociedade.

Para Nyusi, os líderes tradicionais são um vínculo importante na ligação entre os governos locais com a população, por um lado, e por outro, com as autoridades centrais. “Na minha governação vou dar especial atenção a estes líderes, pois, são um vínculo importante na sociedade ao aconselhar, por exemplo, as pessoas a se dirigirem ao hospital ou à medicina tradicional em caso de uma doença. Portanto, eles terão um tratamento não só com o fardamento, mas também com outro tipo de incentivo para desempenhar cabalmente as suas funções de moralização da sociedade”.

Nesta província Filipe Nyusi trabalhou sucessivamente, nos distritos de Magude, Manhica, Moamba, Matutuine, Namaacha e cidade da Matola, onde para além de reunir com os militantes, membros e simpatizantes do partido manteve um encontro com os desportistas de todo o país para a apresentação da sua visão para a massificação e desenvolvimento do Desporto.

CONSTRUIR AEROPORTO NA PROVÍNCIA DE GAZA

Antes de trabalhar na província de Maputo, Filipe Nyusi esteve em Gaza, o chamado quilómetro zero na sua caminhada rumo à Ponta Vermelha, Nesta província prometeu entre outros aspectos trabalhar no sentido de se construir um aeroporto que poderá servir de alternativa ao aeroporto internacional de Maputo.

Para além da construção de uma infraestrutura aeroportuária, o candidato presidencial da Frelimo disse que Gaza possui condições para o estabelecimento de uma zona franca para o seu rápido crescimento económico. “Queremos transformar as zonas rurais mais desenvolvidas e robustas para que as pessoas não procurem resolver os problemas nas cidades mas nos seus locais de origem”.

A construção da barragem de Mapai, bem como a conclusão das obras de modernização da barragem de Massingir, constitui uma outra prioridade para o desenvolvimento da província de Gaza e redução dos riscos na época chuvosa.

“Estamos prontos para desenvolver esta região, por isso dissemos que vamos atacar áreas específicas, como por exemplo, a mecanização da agricultura, turismo atrativo nas praias de Bilene, Zongoene e outros lugares de lazer”,disse.

Nyusi paralisa Zambézia

Bento Venâncio 

Filipe Nyusi, candidato da Frelimo às eleições desta quarta-feira, paralisou literalmente a província da Zambézia em jornadas de caça ao voto realizadas sexta-feira nos distritos de Milange, Mocuba e cidade de Quelimane.

 Por todos os lugares por onde passou, Nyusi foi recebido por expressiva moldura humana, tendo recebido garantias de voto para si e para o partido do batuque e maçaroca.

Na arremetida final pela conquista do voto zambeziano, Nyusi fez-se acompanhar por uma figura de peso: Joaquim Chissano, antigo estadista moçambicano e por outras figuras de proa do partido.

Para além de aflorar temas já conhecidos, como a preservação da unidade nacional, da paz e promoção do desenvolvimento do país, o candidato da Frelimo esmiuçou a estratégia de emprego, sublinhando que pretende acabar com a exigência de cinco anos de experiencia a jovens que se candidatem pela primeira vez.

O candidato explicou que o seu Governo redimensionará o Instituto de Emprego e Formação Profissional, estimulando o surgimento de centros de emprego cuja função será a de aferir necessidades e responder à demanda, seguindo padrões de empregabilidade assentes numa maior aposta ao ensino técnico e profissional.

Nyusi não prometeu emprego à toda gente. Esclareceu que o Estado criará condições para formação (através de pacotes de curta, média e longa duração), abrirá oportunidades para todos e incentivará também o auto-emprego.

Os jovens devem ser patrões. Devem gerar emprego para si e para outros irmãos”, disse o candidato da Frelimo recebendo aplausos de jovens que afluíram em massa ao comício de Quelimane.

CONFIANÇA EM NYUSI

Joaquim Chissano, ex-Presidente da República disse que tem absoluta confiança em Filipe Nyusi. “Ele é humilde. É homem do povo”, salientou perante centenas de potenciais eleitores de Quelimane.

Para o antigo estadista, Nyusi neste momento é a pessoa certa para dirigir o país, contribuindo para acelerar o desenvolvimento que a economia tem experimentado durante os últimos anos.

“Não vamos permitir que o desenvolvimento que o país alcançou seja posto em causa por organizações que só sabem destruir”, sublinhou.

Ressalvou que a Frelimo é um partido de responsabilidade, criando condições de investimento mesmo em zonas onde a gestão autárquica está com a oposição.

Citando o caso de Quelimane, referiu que o Governo da Frelimo tem mobilizado muitos recursos para abastecimento de água, para melhoria de rede de saneamento, dentre outros investimentos.

Contudo, Chissano frisou que determinados partidos têm buscado os louros para si, esquecendo que que não são eles que investem. “É o Governo da Frelimo que trabalha”, apontou.

Graça Machel, ex-primeira dama, e membro do Conselho do Estado deslocou-se igualmente a Quelimane para apoiar a candidatura de Nyusi, tendo pedido à Zambézia para saber votar no candidato certo.

Filipe Nyusi trabalhou nos distritos de Milange, Mocuba, antes de realizar um concorrido showmício na cidade de Quelimane, e não se coibiu de assumir que a Frelimo está mesmo determinada a vencer na Zambézia, tendo esta semana deslocado “pesos pesados” para reforçar uma campanha que tem sido dirigida por José Pacheco.

Domingos Nhaúle

Fotos de Jerónimo Muianga

 

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