A empresa agrícola denominada Agromoz, implantada recentemente na localidade de Uacua, distrito de Gurúe, no norte da província da Zambézia, está a proceder à colheita dos primeiros 400 hectares de arroz produzido em regime de sequeiro e em terras altas, uma inovação trazida para o país pela Pinesso, empresa brasileira associada à holding que gere a empresa.

Dados colhidos junto de Barnabé Zandamela, director de Relações Institucionais do Grupo AGS-Agromoz, indicam que a campanha de colheita agora em curso poderá terminar em Junho próximo e que a produção total estimada poderá se situar em torno de 900 toneladas tendo em conta que a produtividade por hectare se situa em cerca de 4 toneladas por hectare.

Zandamela explica que a holding que compõe a Agromoz é composta pela empresa Américo Amorim, de capitais portugueses, Pinesso, do Brasil, e pela moçambicana Intelec Holdings, que em Setembro de 2011 lançaram o projecto agrícola de plantio experimental de 5,5 hectares de soja, milho e algodão na região de Riane, no interior do distrito de Ribáue, em Nampula.

Graças as resultados obtidos, e aproveitando as semelhanças agro-climáticas, disponibilidade de terras e pontos de concentração de água, a Agromoz implantou-se em Gurúe e, em Agosto de 2012 abriu cerca de 520 hectares de savana nos quais deu início ao cultivo de cerca de 360 hectares de soja, sua cultura principal, 26 hectares de algodão e 5,5 hectares de milho.

Na campanha seguinte, 2013/2014, a Agromoz utilizou 2100 hectares nos quais cultivou soja numa área de 1700 hectares, colocou arroz em 400 hectares e abriu um espaço para 33 hectares destinados ao feijão, tendo em conta que “pretendemos contribuir para a balança alimentar do país”, conforme afirma Barnabé Zandamela.

A introdução daquela variedade de arroz, segundo a nossa fonte, está a demonstrar que o país tem potencial para produzir qualquer cultura desde que se aliem factores agro-climáticos com algum, investimento em tecnologia, formação e parcerias com o sector familiar que, no caso vertente, estão a beneficiar de treinamento para participarem na produção através de um programa de fomento.

Mesmo a propósito de fomento, Barnabé Zandamela aponta que a empresa que dirige seleccionou seis produtores do sector familiar que possuem áreas que variam de um a cinco hectares, os quais estão a ser treinados em matérias de produção de soja.

A Agromoz ainda não possui uma unidade de processamento porque está numa fase de estabelecimento e ainda não tem escala de produção que justifique o investimento numa fábrica. Porém, quando tivermos 8000 hectares e conseguirmos assegurar que o sector familiar domine as técnicas de produção, penso que se pode justificar a construção de uma unidade de produção”, sublinha.

Por outro lado, Zandamela enfatiza que a implantação de uma unidade fabril também faz sentido quando outros factores como o ambiente social, político, económico e de infra-estruturas estão sintonizados e de mãos dadas. “Aí, sim. Faz todo o sentido o agro-processamento”.

Acredito que uma agricultura estruturada com as condições naturais favoráveis e com políticas de incentivo através do Governo, combinadas com tecnologias e agricultura mecanizada e a participação de pequenos agricultores organizados o sector agrícola nacional pode dar um salto qualitativo na economia”, defende.

No que se refere ao investimento total até agora realizado, Barnabé aponta que a Agromoz já aplicou cerca de 10 milhões de dólares americanos, sendo que quatro milhões foram aplicados na aquisição de equipamento agrícola, nomeadamente tractores e alfaias, algumas das quais tecnologicamente avançadas e que custam 250 mil dólares cada. Para operar estas máquinas, segundo a fonte, seis jovens moçambicanos foram recentemente treinados, sendo que a prioridade terá sido dada à população local.

Parte daquele montante terá sido aplicado igualmente no treinamento de cerca de 80 trabalhadores efectivos, uma vez que o sistema de produção é completamente mecanizado e com tecnologia de ponta, incluindo pulverização aérea. “No pico da época de cultivo contratamos cerca de 250 funcionários sazonais”, afirma.

Apesar de se tratar de um projecto novo, já caminha com a ambição de atingir 12 mil hectares de terra cultivada e, numa primeira fase, levar toda a produção para o mercado nacional, contando com o processamento local, pois existem unidades industriais na província da Zambézia que aguardam por matéria-prima. 

O projecto iniciou com 10 técnicos brasileiros e gradualmente com formação de quadros moçambicanos reduziu para quatro expatriados, portanto, temos seis técnicos moçambicanos formados e capacitados para operar em máquinas com tecnologia de ponta que custam cerca de 250 mil dólares cada, o que não deixa de ser extraordinário para o país”, afirma.

A iniciativa da Agromoz, apesar de ainda ser incipiente, está a demonstrar que os jovens que estão hoje inseridos em grandes empresas, desde que sejam criativos, podem se tornar identificar oportunidades de fazerem diferença e singrar no mundo empresarial, como está a acontecer com os jovens gestores desta empresa que abraçaram a oportunidade e estão a implantar um ambicioso projecto agrícola de larga escala.

Jorge Rungo

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