Elsa Manguefoi a primeira cantora moçambicana a conquistar um prémio internacional de música. Foi em 1987 que ela, a Mangue, foi a Paris receber o troféu reservado para a Cantora Revelação. A música responsável pelo sucesso leva o título sugestivo de “Wa Gwira”, mais ou menos “és um gingão” traduzindo livremente para o português.

Elsa Mangue é uma cantora moçambicana, que assentou a sua grandeza na música moçambicana nos anos 1980 - 90 muito à custa das canções que interpretou inspirada em temas de fórum social. Mangue canta o dia-a-dia com um sentimento quase lacrimejante.

No ano seguinte, portanto 1988, Elvira Viegas, uma das mais produtivas cantoras moçambicanas, foi a Paris buscar o troféu para a Melhor Voz Feminina Africana com o tema “Coração de Pedra”.

Com uma carreira artística engajada, Elvira Viegas faz parte de um selecto grupo de artistas que, apesar das novas tendências, continua a produzir regularmente e, mais do que isso, bastas vezes surge envolvida em acções de responsabilidade social e artísticas que merecem todos encómios. Com dois discos no mercado e uma infindável lista de canções que continuam a povoar o nosso imaginário, Viegas é certamente uma das nossas divas.

Depois de um curto tempo, Chico António, acompanhada pela Mingas, com o tema “Baila Maria” voltou a colocar o nome de Moçambique nos escaparates mundiais da canção. “Baila Maria” tornou-se um verdadeiro hino. Chico António foi buscar o prémio e ainda ficou por lá a estudar.

Sim… ficou dois anos a estudar Piano, Técnicas de Captação em Estúdio e Arranjos. Gravou o disco “Amoya” com o Grupo RM e mais uns quantos artistas franceses. Tudo por conta do Grande Prémio da Rádio França Internacional. Corria o ano 1990…

Agora, exactos 23 anos depois, outra voz moçambicana soergue-se e, altaneira, canta “Unanga” (música) e “Ku Thlanga”(brincar) para gáudio dos moçambicanos, ela, Isabel Novella,  tem  os dois temas nomeados para a RFI Discoveries Awards 2013.

Isabel Novellaé, indubitavelmente, uma das mais cintilantes vozes da “nouvelle vague” de cantores moçambicanos. Com uma sólida carreira fora de muros, Isabel começa a conquistar um espaço (merecido, diga-se) na nossa arena cultural.

Helen Keller diz que a vida é uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança, continua, é geralmente uma superstição. Ela não existe na natureza. Novella aceitou os riscos e agora ai está a compensação. Lançou, no mercado nacional, o disco “Isabel Novella” – uma apresentação pública do tipo “estou aqui” – onde a música flui – qual rio correndo para o mar – com uma subtileza sublimar. Cantadas em português, changana, chopi, inglês e zulu, as canções de Novella exaltam a harmonia, a tranquilidade, o amor, a paz.

A nossa candidata faz interessantes incursões pelo Jazz, Soul sem esquecer a Marrabenta, produzindo um som único que a catapultou para o reconhecimento da RFI. A qualidade terá sempre uma palavra a dizer no mundo. Não interessa se é na arte ou noutra área qualquer. Quando se faz alguma coisa com alma, ela será reconhecida. O engenho humano tem sempre um lugar reservado.

O que é preciso mesmo é ter coragem. Isso é, segundo Gabriel Chachita, ter certeza de que a fascinante aventura da vida não perderá os seus mais atrevidos e sedutores momentos. Este é, certamente, um desses momentos para a nossa pequena e grande Isabel Novella. Fiel seguidora de uma tradição iniciada em 1988 pela Elsa Mangue, seguida pela Elvira Viegas e depois pelo grande Chico António.

Vamos ajudar a Novella a escrever, uma vez mais, Moçambique em letras de ouro… vamos votar nela via http://www.prixdecouvertes.com/en/vote . Ela merece. a nossa cultura merece. Moçambique merece… 

Belmiro Adamugy

 

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