Texo de Frederico Jamisse

Quando se chega à cidade da Beira e se procura um bom lugar para comer um bom caranguejo fresco, camarão, peixe ou galinha à cafreal com água e sal e xima o local de eleição é oTio Dino –Restaurante Imperial, localizado no bairro Maquinino.

Com 66 anos de idade, Tio Dino é daquelas pessoas fenomenais, agradáveis de se ouvir e trocar ideias. Nasceu no bairro Chamanculo, na cidade de Maputo, e jogou futebol, primeiro no Atlético Nacional, em 1965, e, em 1966, foi parar à cidade da Beira para jogar pelo Sporting da Beira, onde esteve até 1971, altura em que foi cumprir o Serviço Militar. Ele chegou a Beira, jogou futebol, treinou, dirigiu e venceu.

Cumprida a tropa, Adinane Ibraimo Faquir, nome oficial, retornou ao futebol, em 1975, desta vez para representar o Benfica da Beira. “Joguei pelo Benfica e fomos campeões em 1975, quando Mário Coluna treinava o Textáfrica. Fiquei ligado ao futebol como treinador. Geraldo Conde, Filipe Chissequere e Elcídio Conde foram meus jogadores no Têxtil do Púngoè. E o guarda-redes José Luís foi meu colega de equipa”, enumera. Jogou também pelo Clube Ferroviário da Beira, de 1976 a 1981.

Com o futebol a correr nas veias, não mais se desligou do desporto-rei, tendo actuado como treinador do Sporting da Beira, Têxtil do Púngoè e Desportivo de Matacuane. Afirma que Chiquinho Conde passou pelas suas mãos.

Entretanto, por detrás do desportista está, hoje, o cozinheiro que no seu restaurante agrada aos clientes que por lá passam. Sobre os seus dotes, “aprendi a cozinhar em casa. Quando éramos miúdos, a minha avó dizia para vermos e aprendermos com ela. E afirmava que não nos estava a castigar, mas sim a ensinar, porque se um dia a nossa mulher adoecesse, nós próprios iríamos cozinhar”, partilha.

No processo de aprendizagem nas lides culinárias, Tio Dino detestava fazer caril de amendoim, “por ter de hunguelar (mexer o caril com colher de pau para não transbordar). Eu não tinha paciência”, revela.

Hoje, o dia-a-dia do tio Dino é preenchido pela busca dos mariscos para alimentar o restaurante e prepará-los com requinte para agradar os clientes. Pela manhã, faz ginástica, afinal a sua vida foi sempre ligada ao desporto. “Costumava fazer uma peladinha aos domingos. Mas já não faço por causa do meu joelho”. Sendo conselheiro da Associação de Futebol de Sofala, tem tido reuniões com dirigentes e, por vezes, com jogadores.

Aos domingos o Restaurante Imperial fecha. “Todos os domingos organizo almoços na minha quinta, em Inhamizua, há praticamente 30 quilómetros da cidade da Beira, onde recebo gente vinda de vários sítios. É na quinta onde relaxo, converso e preparo-me mentalmente para a semana que inicia”.

Proveniente de uma família de músicos como Chiquinho, Mateus, Tchaca Tchaca, é pai de três filhos: Ivete, Cláudia e Dany. Afirma ser um homem feliz porque “consegui fazer tudo o que gosto. Vivo intensamente a cozinha, o futebol e sou amigo dos meus amigos”.

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19.08.201Banco de Moçambique